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Helena Gastal, o nome por trás do figurino de Babilônia

Figurinista Helena Gastal

Figurinista Helena Gastal

Com mais de 30 novelas no currículo a figurinista Helena Gastal assina mais uma obra. No ar com a novela Babilônia, Helena é responsável pela moda que desfila no horário nobre da Rede Globo. No centro um time de tirar fôlego, Fernanda Montenegro, Gloria Pires, Camila Pitanga e Adriana Esteves dão vida as vilãs e mocinhas de Gilberto Braga, com looks produzidos por Helena e sua equipe. “Vestir um personagem não significa que ele esteja preso a uma tendência de moda. A roupa tem que ajudar a contar a história”, ressalta.

Na Rede Globo desde 1979 essa é a sexta novela ao lado de Giberto Braga. No meio da correria da semana de estreia ela conversou com a equipe da Valliosa e contou um pouco mais sobre o seu processo de criação. Confira a entrevista logo abaixo.

Valliosa Comunicação A responsabilidade de vestir os personagens da trama de horário nobre é maior?

Helena Gastal – Acho que qualquer trabalho que seja exibido na televisão exige uma grande responsabilidade. Vestir um personagem é diferente porque ele não está preso a uma tendência. A roupa ajuda contar história. O horário nobre por ser assistido por um número maior de pessoas exige um pouco mais. Mas todos os trabalhos são importantes.

Valliosa Comunicação Como você se prepara para um trabalho destes?

Helena Gastal – Começamos a pesquisa de personagem três meses antes de gravarmos o primeiro capítulo. Assistimos muito filmes, vamos para a rua ver o street style e o que podemos trazer para a trama, depois montamos o projeto, apresentamos e começamos a prova de roupa e construção de cada um dos personagens. É um processo que leva em torno de seis meses a estreia da novela. Para Babilônia, por exemplo, começamos a trabalhar em setembro de 2014.

Valliosa Comunicação – Alguns personagens possuem um figurino muito marcante, seja pela beleza ou pela excentricidade. É divertido trabalhar esses estilos tão diferentes? Quais os desafios?

Helena Gastal – Trabalhar com universos opostos faz parte. São eles que fazem o contraponto da novela.

Valliosa Comunicação – Qual o personagem que foi mais difícil para compor o figurino?

Helena Gastal – Montar um figurino simples é muito difícil. Porque você precisa deixar a pessoa simples, sem descaracteriza-la. Esse é um processo mais complicado do que quando você trabalha com o luxo.

Valliosa Comunicação – O que podemos esperar do look dos personagens de Babilônia? Quais os principais estilos? Você acredita que o público vai se encantar e adotar elementos da indumentária? Quais?

Helena Gastal – Nós não trabalhamos com uma tendência de moda, e sim, com elementos que ajudem a construir cada personagem. Citar algo que possa virar moda é difícil, essa resposta que o público dará é. O que vai virar objeto de desejo é muito difícil de saber.

Valliosa Comunicação – E qual a tua principal característica na hora de compor os figurinos?

Helena Gastal – A qualidade, prezo por peças clean que possam ser usadas mais de uma vez. E que ajudem a compor a cena criando uma harmonia entre formas e as padronagens.

Tisci na Interview

Um dos queridos estilistas deste blog que vos escreve foi entrevistado por ninguém mais, ninguém menos que Donatella Versace para a próxima edição da revista Interview e revelou que por detrás da cara de rotweiller tem um lado doce, mostrado a poucos (e íntimos) amigos.

Ricardo Tisci, diretor criativo da Givenchy, ainda contou que suas inspirações e o conhecimento que ele demonstra ter sobre o corpo feminino vem da convivência com duas oito irmãs!

Pra ler a entrevista na íntegra, clique aqui.

 Abaixo algumas fotos feitas por Steven Klein para a publicação:

 

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Fonte: Interview Magazine

Por Doug Oberherr

Entrevista com Walter Rodrigues

 Ontem a noite na Universidade Feevale, o estilista Walter Rodrigues apresentou as tendências de inverno 2011 através do Fórum de inspiração. Logo mais falaremos sobre a palestra e as dicas do Walter aqui no blog.

Confira a entrevista que ele nos concedeu na maior simpatia:

J&J: Sobre Ecoshoes: O projeto visa a disseminação em massa? Ser vendido para o grande varejo?

WR: O projeto tem como conceito mostrar para o mundo que é possível fazer sapatos sustentáveis. Porém tenho medo dessa palavra “eco sustentabilidade”, pois acredito que para isso o produto precisa ser realmente sustentável do início ao fim no processo. Nesse caso, minha maior admiração foi trabalhar com o laboratório de química da PUC-RS, pois meu desenho ia direto para lá e o pessoal me dizia  quais materiais podíamos usar em determinados modelos. Inclusive, conversando com os alunos soube que o ABS era um material ótimo para solados, acabou surgindo meia patas sendo que no meu desenho original não tinha. Foi um processo contrário, da matéria-prima para a criação. O projeto está aí para quem quiser apostar.

 J&J: Qual a maior diferença em desfilar no RJ e SP? Houve alguma mudança de proposta nas tuas coleções para adaptação nessas capitais, ou o processo fluiu naturalmente!?

WR: Já fiz de tudo, fui o primeiro no Phytoervas (SP). Prefiro trabalhar no RJ por questões de mercado para exportação, pois é muito mais fácil um estilista ser reconhecido internacionalmente como brasileiro do Rio de Janeiro do que paulista. A minha roupa também tem um apelo mais sensual, por isso combina muito mais com o clima carioca. Pretendo permanecer no Rio.

 J&J: Sua mais recente coleção é inspirada no interior do Pernambuco, sendo que as rendeiras do nordeste foram aliadas em outros projetos. Existe alguma história particular por esta admiração com o nordeste brasileiro?

WR: Tenho uma admiração pelo “fazer” brasileiro, pelo trabalho manual e pela riqueza dele. Em Pernambuco existe uma parceria entre a AD DIPER (Agência de desenvolvimento de Pernambuco) que visa valorizar a economia da região que é basicamente agrícola, porém está muito defasada, em Quipapá – PE. A ideia é levar a costura para uma associação de 23 costureiras, mas não queremos colocá-las atrás de uma overloque, e sim valorizar o artesanato local, ensinando a arte da costura manual e a alta costura, assim enriquecendo o trabalho delas. Essa parceria está dando certo! 

J&J: Qual a influência da internet como ferramenta de pesquisa de tendências no seu processo criativo? É um limitador ou fator positivo?

WR: Não acredito em tendências, acho que isso é uma mentira para vender coisas. A internet para mim é uma ferramenta de salvação e curiosidade, quando quero saber de alguma coisa que não lembro ou não sei eu corro pro “santo Google”. Meu trabalho é baseado em inspiração, pois a palavra tendência soa como uma obrigação.

J&J: Você não tem site, não tem lookbook online e nem um canal que possa disseminar vendas online ou até mesmo indicar as lojas que vendem Walter Rodrigues. Por quê?

WR A palavra é reinventar-se. Temos o blog da loja, mas não tenho site da marca porque não tenho tempo para administrar e acredito que esse não é o alvo nesse momento. Assim como temos evitado fazer o que todo mundo faz, pode notar que não tenho mais vestidos de festa, também não tenho site. Eu gosto do Facebook, todas as minhas coisas estão lá, acho que ali se cria uma comunidade de pessoas que tem interesses em comum, e é isso que me interessa. Compartilhar e perceber o que as pessoas estão querendo, ouvindo e vivendo.

Hoje meu coração pede que eu escute The Smiths por exemplo. [Risos].

Por Maíra Thums

Regina Martelli, figurinista dos jornalistas da Rede Globo

Ela é muito reconhecida por qualquer um que já tenha pisado no projac. O trabalho dela não é perante as câmeras, mas atrás delas e das pessoas que aparecem todos os dias na casa dos brasileiros, pela TV. Ela é Regina Martelli, FIGURINISTA de repórteres da Rede Globo e suas afiliadas.

J&J-Em que momento a moda surgiu na sua vida? Conte um pouco da sua história com a moda.

Regina Martelli-A moda entrou na minha vida na minha adolescência quando a minissaia, criação da inglesa Mary Quant, virou moda e simbolizou uma revolução no comportamento da sociedade. Eu sempre gostei de moda e segui, até que, durante a faculdade de jornalismo, eu precisei trabalhar e fui trabalhar numa butique. Depois, entrei para o jornalismo de moda, escrevi e produzi matérias para vários jornais até chegar na televisão.

J&J-Você trabalha vestindo principalmente jornalistas e é necessário ter certa sobriedade na imagem desse tipo de profissional. Você busca inspirações em outros lugares, como canais internacionais de televisão, filmes e afins ou prefere vestir o jornalista conforme a personalidade de cada um? Como funciona esse processo de construção de imagem?

Regina Martelli- Eu acompanho os jornais internacionais apenas por curiosidade, porque o visual do jornalismo de alguns países está muito distante do gosto da/o brasileira. Eu me informo sobre tendências, claro, mas a escolha das roupas tem a ver com um visual contemporâneo combinado à personalidade da apresentador/a e o tipo do programa.

J&J-Quais seus estilistas/ marcas favoritas?

Regina Martelli-São vários estilistas e marcas, fica difícil citar sem fazer injustiças.

J&J-Você usa muito a internet? E para que fins você a utiliza? Quais sites mais acessa?

Regina Martelli-Uso a internet para e-mails, compras e ver sites de moda, mas por pouco tempo. O tempo real não me deixa muito tempo para as navegações virtuais. Mesmo o Face Book eu abro raramente.


J&J-Você acha importante o papel das mídias sociais no seu trabalho?

Regina Martelli – Eu acho o marketing e as mídias sociais importantes atualmente, mas não têm nada a ver com o meu trabalho no figurino.

Para mais informações sobre a figurinista, indicamos duas outras entrevistas que falam sobre o seu trabalho:

http://www.caras.com.br/edicoes/688/textos/regina-martelli/

http://www.orm.com.br/balaiovirtual/artigos/default.asp?modulo=72&codigo=147439

Por Priscila Pagnussat

J&J entrevista: Martha Medeiros*

Quando convidada para a entrevista, ela só implorou para não ser torturada com “735 perguntas”. Apesar das muitas curiosidades sobre uma das cronistas mais aclamadas do país(e, por favor, não reduzamos ela a uma MERA cronista), seremos objetivos.

J&J-Como te organizas no teu cotidiano, em relação a horários e agenda?

Martha- Sou a secretária de mim mesma, e das boas! Administro tudo o que me chega via correio eletrônico, agendo encontros em escolas, palestras, entrevistas, resolvo questões de banco, cartório, contratos, e isso me toma bastante tempo. Além disso, tenho o meu lado mãe e dona de casa, vou ao   supermercado, levo filhos na escola, enfim, mulher normal. Nenhum staff de apoio, sou centralizadora, gosto de estar no controle de tudo. De vez em quando sobra um tempinho pra escrever… (rsrs). Geralmente escrevo à tarde, mas não me imponho horários rígidos, sou flexível com a agenda, vou fazendo as coisas quando dá.

J&J-E com relação a prazos? Consegues lidar facilmente com isso, uma vez que é preciso inspiração?

Martha-Aproveito os dias em que estou inspirada para escrever dois ou três textos, um após o outro, e os deixo “na gaveta” para serem usados em alguma emergência. Emergência é quando as horas passam e não se consegue escrever uma única linha, aí o jeito é desligar o computador e pegar um livro, ir ao cinema, desestressar. Quanto a prazo, é disciplinador. Sou muito responsável em relação ao cumprimento das minhas obrigações, nunca deixei ninguém na mão. Se há uma combinação para a entrega de texto, o texto estará no jornal ou revista no prazo exigido. Se me deixam muito livre, aí sim não funciona, acabo privilegiando os trabalhos previamente agendados e quem me deu liberdade demais acaba sendo sacrificado.

J&J-Tens insights na hora de escrever?

Martha-Escrever é um insight o tempo todo. Quando começo a primeira linha da crônica, não tenho a menor ideia de como aquilo vai se desenvolver e terminar. É comum eu chegar lá no último parágrafo e só então encontrar o ponto certo da crônica, aí recomeço o texto a partir desse último parágrafo e reescrevo tudo.

J&J-Muitas vezes não há hora pra que isso aconteça… Como tua família lida com isso? Como é teu espaço em casa?

Martha-Moro com minhas duas filhas e elas estão acostumadas a ver a mãe o dia inteiro no computador. Se não estou escrevendo crônicas, estou respondendo e-mails, pesquisando algo no google ou respondendo a alguma entrevista… Não tenho escritório com porta, meu ambiente de trabalho fica num nicho da minha sala, totalmente aberto para quem quiser se aproximar. Estou conectada com a casa o tempo todo, não faço o tipo escritora ermitã, que não atende o telefone, que não admite interrupções. É tudo muito solto e sem regras.

J&J-Tu és escritora. Como a moda faz parte da tua vida?

Martha-Quando eu era mais guria não dava muita importância pra isso, hoje curto, compro revistas, presto atenção, imagino o que ficaria bem em mim… Não sou uma fashion victim, meu estilo é um misto de clássico com hippie-chic, compro o básico e invisto em acessórios para me personalizar. Passear em shopping não é meu programa preferido, acho uma xaropice ficar peruando vitrines. Tenho umas quatro lojas preferidas em Porto Alegre e de tempos em tempos eu as visito e compro várias peças de uma única vez. Depois levo meses para aparecer de novo.

J&J-Tu te preocupas em seguir as tendências de moda?

Martha-Só se realmente eu achar que tem a ver comigo. Não fico refém de tendências. No Brasil todo mundo se veste do mesmo jeito, se torna enfadonho. Em países da Europa, cada um cria seu próprio estilo, as tendências são apenas sinalizadoras, ninguém as segue com rigidez. Aqui ainda não exercitamos essa liberdade.

J&J-O tema moda te é solicitado para ser abordado em artigos teus?

Martha-Eu própria escolho os assuntos, e prefiro escrever sobre relações humanas em geral, me sinto mais confortável. Sobre moda escrevi poucas vezes. Lembro uma vez que escrevi sobre os prós e contras do pretinho básico, e já revelei em crônica que os provadores de loja estão longe de ser meu lugar preferido no mundo.  Considero experimentar roupa um suplício.

J&J-E costumas acessar blogs sobre o assunto?

Martha-Sou viciada no http://www.thesartorialist.blogspot.com, que mostra flagrantes de pessoas nas ruas de Paris, Londres, Milão, Nova York, cada uma com seu estilo. Há muita inventividade, cor e humor. De três em três dias eu acesso o site para ver as novas fotos postadas e acho inspirador.

J&J-Alguma mulher serve de exemplo de estilo e comportamento a ti? Quem?

Martha-Gosto do estilo da Gisele Bundchen fora das passarelas, ela é totalmente casual. Gosto de tudo que for anti-Lady Gaga. O espalhafato não faz minha cabeça e não considero que roupa seja fantasia. É um modo de expressão, claro, mas fora das passarelas, prefiro a elegância minimalista de uma Jackie O, de uma Kate Moss… Atualmente, eu elegeria a Carla Bruni como exemplo. É sofisticada sem ser maçante, e é uma primeira-dama que não se  anulou, não abriu mão da personalidade que tinha antes de casar com Sarkozy. Ela se destaca da paisagem.

*Martha Medeiros é gaúcha, colunista do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro. Formou-se em 1982 na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS). Trabalhou em propaganda e publicidade durante 13 anos e, depois de morar quase um ano em Santiago do Chile, retornou ao Brasil e iniciou carreira como colunista de jornal.  Tem 18 livros publicados, entre poemas, crônicas e ficção. Seus best sellers são “Doidas e Santas”, lançado em 2008, e  “Divã”, que já vendeu quase 100 mil exemplares e virou peça de teatro e filme, ambos protagonizados pela atriz Lilia Cabral. Divã foi lançado também em Portugal, Espanha, França, Suiça e Itália.

Por Priscila Pagnussat

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