III Simpósio Nacional Moda e Tecnologia – Rumos á Internacionalização – Primeiro Dia (23/06/09)

Palestra: Vantagens competitivas das empresas de moda: cenário nacional e internacional

Por: Geni Ribeiro

 Palavras-chaves: competitividade, mercado nacional, exportação

A J&J participou da terceira edição do simpósio nacional de moda, que ocorreu entre os dias 23 e 25 de junho, em Caxias do Sul/RS, com palestras, mesas e desfiles. O evento abriu com a palestra “Vantagens competitivas das empresas de moda: cenário nacional e internacional”, onde Geni Ribeiro, da ABIT de São Paulo, expôs alguns números sobre o mercado de moda nacional.

Segundo ela, a moda é o segundo maior mercado que existe no Brasil, só perde para a indústria de alimento (que inclui agro negócio), isso representa 17,5 % dos empregos. Na cadeia têxtil, existem 30 mil empresas, com 1.7 milhões de empregos diretos, e 2.4 bilhões de dólares em exportação.

O Brasil é o:

– sexto maior produtor têxtil do mundo (produz 8,2 bilhões de peças de vestuário por ano);

– segundo maior produtor mundial de índigo;

– terceiro maior produtor mundial de malha circular;

– sexto maior produtor mundial de confecção;

– sétimo maior produtor mundial de fios e filamentos;

– oitavo maior produtor mundial de tecidos.

E um dos poucos países do mundo que detém a cadeia inteira (plantio até venda).

Com essas estatísticas, ficou inevitável o questionamento: o que falta para nós acreditarmos mais na nossa moda brasileira, e esgotar de vez a cópia e supervalorização do que vem de fora? Fica a reflexão.

Geni Ribeiro da ABIT

Geni Ribeiro da ABIT

 

Palestra: Desafios da moda em tempos de crise: reflexões sobre sustentabilidade e consumo

Por: Fabio Parode e Bruna Remus

Palavras-chaves: influências da moda; tribos; resíduos da moda

 

Os palestrantes abriram a fala com o seguinte questionamento: “Quem trabalha em algum segmento de moda está ciente de tudo o que ela envolve?”

A discussão se desenvolveu tendo em vista que a moda gera resíduos, sejam eles físicos, como o lixo e o desperdício, ou imateriais, como as sensações que a roupa provoca em quem a vê. Os estímulos, os sentimentos e a forma de consumo devem sempre ser levados em conta por quem trabalha com a moda, pois ela tem o poder e a capacidade de formar opiniões, de mudar vidas, de gerar emprego e de gerir estratégias de mudanças na sociedade.

Para Fábio, embasado pelos pensamentos de Maffesoli (que também esteve presente no evento), a moda representa uma forma de opressão, de padronização e é neste cenário em que surgem as tribos. Elas emergem como uma forma de criar espaços sociais anti-moda, entendem que a característica exclusiva (de exclusão) da moda deve ser repensada e a partir desta reflexão, desenvolvida uma forma de utilizá-la como um fenômeno unificador, e não padronizador. O palestrante adotou ainda os pensamentos de Bauman, que coloca que, à medida que o homem consome, ele se torna uma mercadoria, expressando quem é através do uso de objetos.

 

 

Palestra: Ética na empresa contemporânea: reduzir, reciclar, reutilizar

Por: José Carlos Trujillo

Palavras-chaves: sustentabilidade; 7 R’s; práticas industriais

 

A palestra apresentou dados reais de duas empresas que foram analisadas a partir de seu trabalho na produção de artefatos semelhantes e percebeu-se que uma delas sobressaía-se à outra em função da quantidade de peças produzidas com as mesmas quantidades de matéria-prima e os lucros obtidos no final dos processos.

O palestrante enfocou a diferença entre Resíduo (o que sobra), Lixo (imprestável) e Desperdício (perda). Trujilo ainda apresentou um pequeno esquema composto pelos chamados “7 R’s” que faz com que haja uma reestruturação das formas como as empresas desenvolvem seu trabalho, no chamado chão de fábrica, ou seja, na produção.

São eles:

Reduzir

Reciclar

Reusar

Reparar

Recuperar

Repensar

Redesenhar

Cada um deles pode ser entendido como um procedimento a ser tomado a partir da análise dos resíduos provenientes da produção de uma empresa. Por exemplo, se uma empresa apresenta no final da produção resíduos classificados com lixo, estes devem ser analisados para descobrir uma forma de retrabalhar este material ou destiná-lo a empresas que saibam como utilizá-lo.

As políticas de sustentabilidade, apresentadas acima como os 7 R’s, são de extrema importância à medida que reduzem a quantidade de subprodutos, fazendo com que baixem os custos operacionais. Dessa forma, promovem diferenciação competitiva e facilitam as relações globais, tendo em vista que empresas “ecologicamente corretas” são muito bem vistas pelo mercado.

 

 

Palestra: Pequenas Tecnologias

Por: Eduardo Motta

Palavras-chaves: tecnologias; moda; inovação; sustentabilidade

 

Eduardo Motta discorreu sobre pequenas tecnologias com aplicação na moda. Citou exemplos das “gambiarras” (tecnologias simples sem fundamentação acadêmica) usadas por grupos alternativos como forma de provocar mudanças nas roupas a partir de intervenções pessoais nas peças.

Ele enumerou ainda cinco grandes tecnologias que auxiliam a moda: tecnologia têxtil, de modelagem, de pesquisa, de comunicação e de transporte.

Falou ainda sobre como as tecnologias têm servido para ser uma vitrine de idéias e unir pessoas em diversas partes do mundo, que detém interesses em comum, como a vontade/necessidade de encontrar novos meios de exercitar a criatividade ou mesmo provocar reflexões sobre as novas possibilidades de intervenção na moda. Por último, mas não menos importante, sua fala deixou a afirmação: “o meio de chegar á sustentabilidade é através das tecnologias que possibilitam buscar formas diferenciadas de desenvolver um produto que agregue valor e seja ecologicamente correto”.

 

 

Palestra: Observatório de tendências: o que é, para que existe e como funciona

Por: Julieta Puhl

Palavras-chaves: tendências; pesquisa; comportamento

 

Julieta apresentou a metodologia do INTI – Instituto Nacional de Tecnologia Industrial da Argentina, órgão responsável por realizar pesquisas para os mais diversos setores com foco em tendências comportamentais.

A busca por oferecer um valor agregado aos produtos argentinos levou a desenvolver um sistema de pesquisas que observa, analisa e comunica o que for mostrado no país e mundo. O processo funciona da seguinte maneira:

– intuição criativa: pressentimentos, feeling, percepção pessoal

– observação apurada: estar sempre “ligado” a tudo o que acontece e que possa ser identificado como comportamento de vanguarda, olhares multidisciplinares

– interpretação multidimensional: saber se podem ser usadas as tendências encontrados em todos os âmbitos do mercado (design, arquitetura, comunicação…)

– difusão acessível: como apresentar as tendências de forma que todos os envolvidos possam compreender

Os lugares onde se faz essa observação de tendências são:

-museus, exposições

-feiras

-desfiles

-fóruns de tendências

-eventos de moda

-circuitos (ruas, galerias, vitrines, novos talentos…)

-internet

-revistas

-viagens

A pesquisadora colocou que todas as mudanças na sociedade geram tendências. Para isso, é necessário utilizar alguns métodos de observação, são eles:

– chama a atenção;

– o que nunca viram antes;

– o que se repete;

– o que se relaciona;

– temáticas de vitrines:

– produtos (silhuetas, aviamentos, materiais, formas…)

 

 

Julieta Puhl, do INTI

Julieta Puhl, do INTI

Palestra: A Cosmética Transcendental

Por: Michel Maffesoli

Palavras-chaves: imaginação; cultura; aparência; tecnologia

 

Para o filósofo e sociólogo, a cosmética (tida como a relação do ser humano com seu corpo) se origina da palavra caos, vista como as mudanças caóticas que o mundo sofre e vai em direção à busca da calma, do todo, do saber.

São filosofias que expressam que o ser humano está deixando de lado o materialismo (que faz com que seu corpo seja um simples objeto de comunicação e trabalho) e parta em busca do espiritualismo (busca por uma razão do corpo ser como ele é e a valorização da natureza).

O que é próprio da cultura é o que é cristalizado no cotidiano. É neste local que estão as verdadeiras mudanças: no imaginário social através de um processo de contaminação. E o corpo se transforma em uma ferramenta de significação, pois passa a ser um objeto a ser explorado. O francês chama isso de corpoerismo.

Para o professor, podemos encontrar e analisar tendências a partir da observação do imaginário das pessoas, pois este imaginário é a soma das crenças, das fantasias e dos sonhos do ser humano; o cotidiano que é a junção das relações das pessoas umas com as outras e a forma como se dá este relação e por último a observação de como a tecnologia influi na vida das pessoas, criando novos objetos e difundindo conhecimentos que influenciam as pessoas.

 

Professor Michel Maffesoli

Professor Michel Maffesoli

 

Veja os releases dos segundo dia. Clique aqui.

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