Ela é arquiteta, mas sempre gostou da área do design. Já participou de concurso de mobiliário, teve uma empresa de luminárias de papel reciclado, ainda quando este tipo de papel quase inexistia no mercado e também arriscou um pouco na cerâmica.
Mesmo assim, ainda buscava algo. Algo em que pudesse ter mais liberdade de expressão e dentro de um padrão estético criado por ela mesma…
Aí, aconteceu a idéia de fazer arte com adesivos. Essa arte virou quadros e ela expõe até hoje, 19 de março, na Câmara Municipal de Porto Alegre seu novo trabalho.
J&J-Como é o teu cotidiano?
Cláudia-Minha atividade principal ainda é arquitetura. Trabalho tanto com projetos residenciais/comerciais, como também com interiores.
Atualmente o mercado de interiores tem bastante expressão.
J&J-Onde trabalhas diariamente?
Cláudia-Tenho meu escritório em casa, mas passo praticamente na rua.
Ou estou com o cliente, ou nas obras, ou nas lojas…
J&J-De onde veio o gosto pela arte?
Cláudia-Da minha profissão.
Como arquiteta eu me desenvolvi e evolui como pessoa.
Isto inclui a arte.
Acabamos tendo acesso a muita informação. E quanto mais conhecemos, mais gostamos.
J&J-Quando começou o trabalho com adesivos? De onde surgiu a idéia?
Cláudia-Já não lembro em que momento tive contato com os adesivos.
Mas em função da arquitetura, muitas vezes não encontrava o que gostaria, dentro de uma linguagem mais limpa e de contrastes.
A questão do preto e branco também, apenas encontramos soluções em fotos (muitas opções fantásticas), mas sinto falta de outras técnicas.
Queria trabalhar de uma forma artesanal, algo que pudesse fazer com minhas próprias mãos, que não fosse uma impressão (algo que pode ser reproduzido).
Então, em algum momento, comecei a brincar com os adesivos, e me encontrei.
J&J-É comum o “branco” na hora de criar. Como funciona teu processo criativo e como você dribla esses “brancos”?
Cláudia-Alguma vez li uma entrevista com algum cineasta que não lembro quem é, na qual perguntaram à ele , que estava em uma praia, de férias, o que ele estava criando.
E ele respondeu: Nada, pois para criar é preciso muito trabalho e estou de férias.
Também penso assim.
O processo criativo é fruto de muito , muito trabalho.
São idéias rabiscadas. atenção em detalhes que muitas vezes passam despercebidos pelos outros. Tentativas de concretizar uma idéia, que acaba se transformando em outra.
Para mim, não acontece o branco. Pelo contrário, existem muitas pequenas idéias querendo ser concretizadas, que preciso domá-las e aperfeiçoá-las.
J&J-De onde vêm as tuas inspirações?
Cláudia-Estou sempre observando tudo, que através do meu olhar, perceba que possa transformar em algo, dentro desta linguagem dos adesivos.
Gosto da pop arte, das histórias em quadrinhos, dos grafitis, do minimalismo, das linhas retas que me acompanham na arquitetura, de olhar para traços culturais expressivos.
Não tem fim. Tudo é inspiração.
J&J-E a idéia de apresentar o teu trabalho em forma de exposição, foi tua?
Cláudia-Na realidade foi uma necessidade de mostrar meus trabalhos pessoalmente.
Apenas as fotos não dizem tudo sobre ele. As pessoas precisam ver, tocar, entender.
Sinto que é algo novo e, no geral, existe o desconhecimento e, consequentemente, o medo do novo.
Vi que só o blog não bastava.
Surgiu esta oportunidade na Câmara Municipal de Porto Alegre e fui classificada entre os inscritos.
Está sendo uma experiência muito bacana, além de abrir novos caminhos para mostrar meus painéis.
J&J-Teus trabalhos têm alguma relação com a moda?
Cláudia-Não. Mas a moda me inspira . Moda é arte, está tudo muito ligado.
J&J-E como tu encaras a moda? O que pensas sobre ela?
Cláudia-Moda para mim é o reflexo da personalidade das pessoas em determinada época.
A moda, como a arte em geral, é história.
Ela reflete os movimentos sociais. Reflete a tecnologia em determinado momento.
A moda mostra um caminho a seguir, segundo as tendências.
Cada um vai fazer seu percurso, interagindo com essas informações.
O blog dos trabalhos dela: http://oxvinil.blogspot.com
EM TEMPO: Alguns trabalhos agora podem ser vistos na loja Inside, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
Por Priscila Pagnussat e Douglas Obreherr
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